Encontro reuniu cerca de 400 jovens nos dias 6 ao 10 de setembro, em Capela do Alto, SP

Um evento que se configura como iniciativa política de articulação e fortalecimento das negras jovens brasileiras urbanas, rurais, do campo, da floresta, dos movimentos populares e comunitários, das quilombolas, lésbicas, bissexuais, trans, estudantes e religiosas. Assim foi o 2º Encontro Nacional de Negras Jovens Feministas que reuniu cerca de 400 jovens, com idade entre 15 e 35 anos, entre os dias 06 e 10 de setembro, em Capela do Alto, interior de São Paulo.

 

Para Marina Ribeiro, coordenadora do projeto “Mulheres Negras Jovens fortalecidas na luta contra o racismo e o sexismo”, este foi um momento de troca de ideias e pautas de negras jovens feministas inseridas nos diferentes espaços e esferas políticas. “Ser uma mulher negra jovem já é uma especificidade. No entanto, quando olhamos somente para esse segmento das juventudes, percebemos a diversidade que existe entre essas jovens,:são diferentes trajetórias juvenis capazes de expressar parte da realidade das negras jovens que vivem nas diferentes regiões do país, em áreas urbanas, rurais, assim como, as diferentes formas de organização que elas estão envolvidas. Um encontro como o que aconteceu no último final de semana é fundamental por vários motivos, pois contribui para uma organização mais ampla e fortalece o movimento de mulheres negras brasileiras como um todo, mas, sobretudo, explicita que, diante da diversidade, é necessário construir diferentes formas de enfrentamento ao racismo, sexismo, lgbtifobia e tantas outras opressões que as negras jovens estão expostas em nossa sociedade”, ressalta Marina.

 

Elaborar estratégias de atuação capazes de promover o bem viver da população negra no contexto do pós Marcha das Mulheres Negras a partir do diálogo entre lideranças do Movimento de Mulheres Negras e as jovens reunidas no evento foi um dos pontos principais do evento. De acordo com Mohara Valle, que participou da organização do encontro e da mobilização do Rio de Janeiro, o encontro serviu para ajudar a enxergar a importância da organização das mulheres jovens negras. “Nossa inspiração é o legado e a atuação daquelas que vieram antes de nós. Identificamos uma série de debates que precisamos aprofundar, e problemáticas que precisamos enfrentar, bem como a necessidade de continuarmos nos articulando nacionalmente e regionalmente enquanto negras jovens feministas. De forma geral, partimos do encontro com a responsabilidade de fortalecer e ampliar nossa atuação e formação, no combate ao racismo, machismo, lgbtifobia e outras formas de opressão, como a regional e pelo bem viver”, diz Mohara.

 

“Este foi um momento histórico de luta do movimento de jovens e mulheres negras após a Marcha das Mulheres Negras Contra o Racismo, a Violência e Pelo Bem Viver realizada em 2015”, ressalta a coordenadora do projeto. Para Marina, o evento reafirmou a importância da auto-organização e do protagonismo das negras jovens brasileiras na construção de estratégias cotidianas de enfrentamento ao racismo, a violência e todas as formas de opressão que as atinge.

 

“Mulheres Negras Jovens Fortalecidas na Luta Contra o Racismo e o Sexismo” é um projeto feito em uma parceria entre Oxfam BrasilCriolaOng FASEAção EducativaInescInstituto Pólis e Ibase.